Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Por um Benfica ao vivo e a cores no Século XXI!

Correndo o risco de no momento em que escrevo, por não ter acesso à internet, estar já completamente desactualizado face ao avassalador fluxo de informação que corre sobre o Sport Lisboa e Benfica por estes dias, decidi ainda assim aproveitar o tempo morto de uma viagem em trabalho para fora do pais e partilhar algumas reflexões sobre o nosso clube.

Não deixa de ser curioso pensar que, pelo facto de as eleições terem sido antecipadas (e apenas por isso), não me ser permitido exercer o meu direito de voto nas próximas eleições. Os entorses democráticos não prejudicam apenas as instituições mas efectivamente retiram direitos às pessoas que as corporizam, que as fazem, que as vivem.

Posso dizer hoje, com segurança, que não vou votar nestas eleições porque Manuel Vilarinho não deixou.

Mas, saltando sobre este processo eleitoral, que é menos que vergonhoso, e que consubstancia um golpe na credibilidade do Sport Lisboa e Benfica (que nem a história do clube nem os seus sócios mereciam), proponho-me reflectir sobre o Futuro.

Facto: Se o F.C. Porto conquistar 3 títulos na próxima temporada e o Sport Lisboa e Benfica ficar em branco, passaremos a ocupar a segunda posição em termos de n.º de troféus conquistados.

Facto: eu ainda sou do tempo (e só tenho 28 anos) em que podia dizer “o Benfica tem tantos campeonatos como todos os outros clubes juntos (a contabilidade, à época, incluía o Campeonato Nacional ganho pelo Belenenses).

 

Efectivamente, fruto de má gestão mas também de uma sobranceria que nos acomodou, nós benfiquistas (todos) temos também, em minha opinião, uma quota parte de responsabilidade nesta decadência desportiva do clube, decadência essa que nos tempos de João Vale e Azevedo e mais recentemente com Luís Filipe Vieira (ainda que por motivos distintos) alastrou ao ponto de não ser impreciso falar também de decadência institucional.

Sim, decadência institucional também hoje.

Não falo só o processo eleitoral e de todas as suas estórias de ávida disputa de poder pelo poder. Episódios como os da demissão de Quique Flores, como os comunicados para a CMVM, como a contratação de Jorge Jesus retiram credibilidade e põem em causa o clube enquanto instituição.

E que dizer de uma direcção que insiste em referir-se a outros sócios como “papagaios”, e mais recentemente como “garotões” que só querem protagonismo (já agora que lugar era reservado ao protagonismo de Luís Filipe Vieira antes de ser presidente do Sport Lisboa e Benfica?)

E que opinião ter de dirigentes que insistem ad nauseam no fácil e já gasto discurso da cabala, da fruta e das arbitragens (não digo que totalmente sem razão), como pó que atiram para os olhos dos benfiquistas para escamotear incompetências várias de gestão desportiva e mediocridade de resultados?

Não se pode jogar no estádio da Luz como o Benfica jogou na época passada e queixar-se constantemente das arbitragens. Isso não é ter um discurso, é fazer barulho, isso não é estratégia, mas antes arruaça.

Mas não critiquemos apenas dirigentes.

Num gesto que revela, antes de mais, vontade de não querer ver, autêntica cegueira preventiva, os benfiquistas (entre os quais me incluo) usaram e abusaram tantas vezes do que chamo o discurso do Benfica messiânico, do Benfica que há de vir, um discurso por vezes já não alicerçado em virtude mas numa certa forma de arrogância cheia, balofa, de conquistas do passado, de conquistas a preto e branco.

Não queremos deixar de enaltecer os feitos do Glorioso Eusébio, de Torres de Simões, de águas, de tantos...

 

 

Mas a Nação Benfiquista precisa de se erguer, precisa de se desentorpecer, precisa de reconhecer que o papel de liderança incontestada já não se reflecte no campo e que até a liderança em termos sociais, em termos de fenómeno de massas, se vai perdendo, se vai esfumando, porque essa liderança também se alimenta de sucessos, também se alimenta de vitórias!

É preciso acordar o monstro! É preciso alvorecer para este século XXI e perceber as mudanças que se verificaram no desporto em geral e no futebol profissional em particular. Paradoxalmente, acredito que é preciso olhar para trás e reabsorver os mesmos valores que nos guindaram ao que já fomos e aplicá-los hoje, agora, neste momento. Enfim, é preciso refundar a mística!

O Sport Lisboa e Benfica é, e pode continuar a ser, ainda hoje, único em Portugal. Tem uma força social incomparável (3000 no Seixal...) e seria imparável se fosse gerido de forma competente, de forma racional.

Não basta mudar o que fica à superfície. O problema do Benfica não foi Quique Flores, não foi Chalana, não foi Camacho, não foi Fernando Santos, não foi Koeman, não foi Jesualdo Ferreira. Da mesma maneira, não foi trazendo Aimar, Reyes, Suazo que o Benfica se classificou á frente do Sporting ou do F.C Porto... 

O problema do Benfica está antes de mais em cada benfiquista que se convence que o passado se repetirá inevitavelmente e sem esforço, porque “O Benfica é o Benfica”. Depois, sim, está naqueles que ao longo dos últimos anos interpretaram as funções de direcção no Benfica nesse mesmo pressuposto e desperdiçaram preciosos anos em que podiam e deviam ter adequado o Benfica a este novo século que já aí está há demasiados anos para continuar a ser ignorado.

Compete-nos mudar, para podermos exigir que se mude!

Compete-nos mudar por um Benfica ao vivo e a cores no século XXI!

E PLURIBUS UNUM!

 



publicado por Miguel Pimentel às 01:35
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7 comentários:
De fcp a 3 de Julho de 2009 às 07:25
o glorigozo só nos faz rir...


De André Couto a 3 de Julho de 2009 às 15:12
Rir, rir fazem-nos os portistas que aqui aparecem e nem português sabem escrever. Na nossa língua é escreve e diz-se "glorioso". De qualquer forma antes de pronuncia a palavra tem de se ajoelhar e benzer.


De Cissokho Dente Ôco a 3 de Julho de 2009 às 15:15
E já agora, beijar o cajado de Moisés..


De Cissokho Dente Ôco a 3 de Julho de 2009 às 09:54
Quero ver que ainda vais culpar LFV pelos últimos vinte anos do Benfica, o melhor é procurar no MBVV , lá encontras alguns de certeza!!


De Pedro Ribeiro e Castro a 3 de Julho de 2009 às 16:15
O Miguel Pimentel traz-nos um texto com factos objectivos. De facto, a história recente do nosso SLB tem sido pouco condizente com o estatuto de Glorioso.
Esperamos vencer sempre, mas agora mais do que nunca.


De Cissokho Dente Ôco a 3 de Julho de 2009 às 16:19
Mais nada! Seja com que presidente for...


De Caravaggio a 3 de Julho de 2009 às 17:20
O meu filho pergunta-me sempre. Porque é que sempre que mostram o benfica na TV é a PRETO-E-BRANCO. Óh filho nesse tempo não havia TV a côres.


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