Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Manuel Vilarinho, "O Equívoco"?

Fui um daqueles que, nas eleições disputadas entre Manuel Vilarinho e João Vale e Azevedo, fizeram fila até ao Colombo para terminar com aquilo que era a desonra constante do nome e dos pergaminhos do Sport Lisboa e Benfica. Votei Manuel Vilarinho porque ele era o rosto do recuperar da credibilidade perdida e do investimento no Sport Lisboa e Benfica como pessoa de bem. Pergunto agora a Manuel Vilarinho: onde param essas palavras, onde ficou essa atitude?

O pouco que restou depois do apoio público que, na qualidade de Presidente do Sport Lisboa e Benfica deu a um Candidato a Primeiro-Ministro (nem Valentim Loureiro ousou tanto), esfumou-se no dia em que em manifesta e frontal fraude aos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica se demitiu, juntamente com os restantes membros dos Órgãos Sociais, para imediatamente anunciar a recandidatura.

Certamente terá consciência que toda esta situação nasceu das suas palavras logo após essa demissão. Bastaria o seu silêncio para que, pelo menos à luz da lei, pouco lhe pudesse ser apontado e nada provado.

Não contente com esse facto permite agora que se perpetue esta situação de terrível indefinição e de consequências por apurar. Como diz no comunicado que emitiu esta tarde "A Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica acabou de ser citada (...) para suspender a deliberação de aceitação da Lista A às eleições dos órgãos sociais marcadas para o dia 3 de Julho de 2009.". Deve Manuel Vilarinho saber que Portugal tem Justiça e Constituição. Consta mesmo que é licenciado em Direito. Uma decisão judicial ou obtém resposta pela mesma via ou é cumprida, jamais é respondida com um comunicado aos Sócios invocando que os Tribunais não mandam no Benfica. O único detentor de poder espiritual conhecido é o Ayatollah Ali Khamenei e apenas no Irão.

Merecem respeito a dimensão do Sport Lisboa e Benfica e a devoção ao Clube que os seu Sócios transpiram. Assuma os seus erros e resolva a questão. Assuma igualmente que a fraude aos Estatutos que anunciou na primeira pessoal, é algo que merece a suprema pena do afastamento do acto eleitoral. Permita que o Benfica siga o seu rumo.

Abra caminho para ser recordado como mais do que um equívoco. Seja, como chegou a ser, um Presidente histórico demonstrando que equívoco foi a impressão que deixou, que estas atitudes foram estranhamente semelhantes com o passado com que um dia rompeu.



publicado por André Couto às 22:40
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5 comentários:
De Tiago Cid a 1 de Julho de 2009 às 23:25
André, concordo, na generalidade, com tudo o que dizes. E, se o pressuposto for correcto, então subscrevo e assino por baixo. Parece-me, no entanto, que partes de um pressuposto erróneo: tanto quanto percebi, não se tratou de uma decisão judicial, mas antes de uma mera citação por um solicitador de execução, sem que tenha havido qualquer decisão judicial que apoiasse a pretensão do outro proto-candidato . Tanto mais que os tribunais, ao contrário do que aparentemente (e para meu pesar) sucede com o Glorioso, respeitam o direito ao contraditório. E uma decisão deste calibre não poderia ser tomada sem que a contraparte fosse ouvida. Sigamos, pois, com a serenidade possível, os desenvolvimentos deste triste folhetim para ver o fim da novela.


De André Couto a 2 de Julho de 2009 às 00:34
Tiago, infelizmente creio mesmo partir de um pressuposto correcto.
Lê com atenção o Comunicado da Mesa da Assembleia Geral na pessoa de Manuel Vilarinho: "A Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica acabou de ser citada por uma Senhora Solicitadora para, “em obediência ao Despacho do Meritíssimo Juiz”, juntar aos Autos cópia da Acta do Plenário dos Órgãos Sociais de 8 de Junho de 2009 e para suspender a deliberação de aceitação da Lista A às eleições dos órgãos sociais marcadas para o dia 3 de Julho de 2009.".
Desta forma a haver eleições 6a feira a Lista A não deverá constar dos boletins de voto. Coisa diferente será suspender o acto e aguardar, no entanto não considerei esta hipótese por achar que os Estatutos foram violados, de forma gritante, nesta manobra de jogo sujo. Os Estatutos são claros a ditar as regras, quem não as cumprir deve estar, a meu ver, fora da corrida.

Subscrevo o teu apelo à serenidade. E vamos precisar de muita...


De Pedro Pavia Saraiva a 2 de Julho de 2009 às 00:59
Creio que a interpretação do André é a mais correcta.
Não estou é a ver nenhuma possibilidade de Bruno Carvalho não vir a ser Presidente.
Primeiro: Vilarinho ainda pode adiar as eleições?
Abrindo a hipótese, mais provável , que não o pode/quer fazer Carvalho ganha sempre. Se a lista A, com Vieira á cabeça, entrar nos boletins e ganhar o que acontece é que havendo um recurso da decisão do tribunal, e caso o recurso dê razão a Carvalho este será automaticamente apresentado como Presidente.
A única solução, não sei se possível , é mesmo adiar as eleições. Ou então Bruno Carvalho será presidente do Benfica.
Reitero o apelo á serenidade...


De Tiago Cid a 2 de Julho de 2009 às 03:42
Admito que seja eu a partir de um pressuposto erróneo. Admito tudo, partindo de um outro pressuposto: que não é só no Glorioso que a balbúrdia total reina, mas também na justiça. Que, com todos os antecedentes destas eleições à la nueva moda de Latino-América uma providência cautelar mande suspender as eleições à cautela, parece-me, do ponto de vista do bom-senso jurídico, admito, cristalino, até vulgar de lineu. Que uma solicitadora cite, com base num despacho não divulgado do meritíssimo, o benfica para que prossiga as eleições só com uma candidatura, vá que não vá. Que tal citação possa produzir efeitos (sem contraditório), é como se acreditasse que um elefante pudesse suavemente saltitar de nenúfar em nenúfar sem salpicar as orelhas (porque raio me veio esta imagem das orelhas?). Serenidade, portanto, e todos de acordo neste ponto. Que é coisa que, suspeito, não haverá caso o novel sócio ou antiquíssimo sócio, se o critério for o da correspondência, for o único candidato presente no magnífico complexo da Luz (antes do naming e, para mim, depois do naming). Porque, apesar de assumido fanático, ainda assim consigo colocar no topo da minha pirâmide de valores a vida humana, devo dizer que valorizo a integridade física do candidato acima da dignidade da instituição. A última já ardeu (temporariamente, que melhores dias virão), quanto à última receio o pior. Imaginem o que seria um pavilhão cheio de adeptos sem nome endiabrados com contratações sonantes tendo como única opção de voto o ex-director do PORTO Canal???


De Pedro Ribeiro e Castro a 3 de Julho de 2009 às 15:50
Este tipo de problemas aparecem porque para a Mesa da Assembleia-Geral são escolhidos "amigos". Estou certo de que nada disto teria acontecido se tivessem sido escolhidos juristas competentes com um sentido apurado do Direito.
(irei colocar este comentário em mais dois ou três posts , pois parece-me de enorme importância)


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