Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Contratar ou quase-contratar, eis a questão...

Eu sabia que hoje não me deitava sem falar de transferências no Sport Lisboa e Benfica, ou melhor, de “quase-transferências”. Designo de “quase-transferência” uma espécie de “quase-contrato” através do qual um jogador de futebol quase se torna jogador do Sport Lisboa e Benfica. É nesta galeria de “quase-jogadores do Sport Lisboa e Benfica” que se inscrevem nomes sonantes que vão de Robinho a Ronaldinho, mas também outros menos sonantes como Álvaro Pereira e Falcão.

Não sei se objectivamente Falcão ou Álvaro Pereira eram boas opções para o Benfica e se alguma vez deveriam deixar de ser quase-atletas do Glorioso para passarem a envergar as nossas cores. O que sei, o que resulta evidente à vista desarmada, é que no Benfica as palavras não se medem da mesma maneira que os silêncios não se gerem. 

No entanto, creio que Rui Costa, fazendo-se de estratego da negociação futeboleira (e que tem dado alguns frutos se bem que também tem gerado quase-futebolistas), afirmando palavras de sedução que tanto sensibilizam os meus colegas de bancada, mais não faz do que seguir a linha do presidente, isto é, atirar areia para os olhos dos benfiquistas. Já dizia o velho ditado: “enquanto o pau vai e vem folgam as costas”.

Ele bem pode dizer que só quer no Benfica quem tiver prazer, carinho, mística, fé ou mesmo outras qualidades. Facto: Rodriguez foi para o FC. Porto; Luís Garcia não veio; Álvaro Pereira não veio, Andújar não veio; Falcão parece que já não vem. A lista é quase interminável. Todos estavam referenciados, todos eram objectivos do Benfica; dois são atletas do FC Porto (pelo menos por agora são só dois).

Rui Costa pode dizer o que quiser. O que eu constato é uma incapacidade histórica de preservar o segredo que, como toda a gente sabe, é desde tempos imemoriais, "a alma do negócio”. Ora, espetando nos jornais aquilo que deveria ser sigiloso, o Benfica consegue não só desperdiçar todo um trabalho de prospecção (cujos custos não podem ser ignorados), mas também inflacionar o valor dos passes dos jogadores que quer comprar.

Até um quase-gestor percebe que isto é um contra-senso e que esta prática apenas gera as tais “quase-contratações” em que somos de facto pródigos.

 

PS: Ainda assim é possível enumerar vantagens de fazer “quase-contratações” de jogadores que depois assinam pelo F.C. Porto: 1) eles é que internalizam as ineficiências do nosso departamento de prospecção; 2) eles começam a negociar com base no que o Benfica conseguiu pelo que as suas contratações também resultam inflacionadas; 3) de alguma forma acabam por ser pressionados a adquirir jogadores que não precisam o que também gera ineficiências.


publicado por Miguel Pimentel às 01:51
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10 comentários:
De Pedro Ribeiro e Castro a 9 de Julho de 2009 às 02:28
Miguel, concordo contigo a 100%.


De Miguel Pimentel a 9 de Julho de 2009 às 02:37
Pois. Neste aspecto gostava era que me dissesses "discordo de ti a 100%". Nunca mais aprendemos...


De Rui Pedro Nascimento a 9 de Julho de 2009 às 10:17
São duas questões diferentes, Miguel. Uma é o facto de no Benfica tudo se saber, e esse é um problema real do nosso Glorioso. Outro é a questão de "perdermos" jogadores. Como disse anteriormente, o caso do Andujar não foi tão empolado. E isso tem somente a haver com a decisão do jogador em ir para um outro clube que não o fcp.

Se perdemos jogadores, acontece. É o mercado. Agora que temos de acabar com as fugas de informação no clube, temos. Mas isso também vai da responsabilidade de quem tem essa informação.

Repara nestes dois posts que há uns dois anos apareceram na Tertúlia Benfiquista:
1) http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/686604.html
(inicialmente a palavra homem não tinha link, e o post não tinha tag)
2) http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/695897.html

Como podes ver, havia quem soubesse que Simão havia sido transferido mas quase nada disse. As fugas de informação, no Benfica, são demonstrações de alguem (ou alguns) que gostam de demonstrar que fazem parte do circuito de informação. Outro exemplo é o caso de Tomasson, em que um colega meu soube sexta-feira antes de se saber na Comunicação Social. E este eu sei que lho disse...



De Miguel Pimentel a 9 de Julho de 2009 às 12:33
Grande RPN. São duas questões diferentes. Dr acordo. MAs sendo duas questões diferentes têm um ponto em comum: a maior parte das quase-contratações do Benfica que passam a ser contratações do Porto derivam do facto de no Estádio da Luz as paredes não serem opacas. Não concordas?


De Rui Pedro Nascimento a 9 de Julho de 2009 às 18:07
Claro que concordo. Mas também acho que há aproveitamento jornalístico. Repara que no caso do Falcão (já não me lembro do Álvaro Pereira) primeiro saiu que o Benfica desistiu do jogador, mas a notícia é depois vendida de que o fcp roubou (ou vai roubar, ou está quase, quase, mas mesmo quase a roubar) o jogador ao Benfica.

Mas sim, tem de se correr com a chibaria do Glorioso.



De Miguel Pimentel a 9 de Julho de 2009 às 18:38
MAs aí é que está o problema. Eu acho que o problema da chibaria ou é propositado ou é má gestão, pelo que se resolverá mudando as práticas de gestão de quem manda e no fim do dia é responsável ou então removendo dos respectivos cargos os que não semostram capazes de controlar esta sangria de informação.


De Rui Pedro Nascimento a 10 de Julho de 2009 às 09:17
Dizer que a chibaria é má gestão é, claramente, um exagero.



De Miguel Pimentel a 10 de Julho de 2009 às 10:50
As fugas de informação numa estrutura profissional ou são problemas disciplinares ou são problemas de gestão ou ambos. Não vejo muitas mais hipóteses. Há ainda a contraparte mas essa, se o silêncio é relevante para o Benfica, deverá estar obrigada também a deveres de sigilo. ~É assim tão dificl? Quantas pessoas ~são precisas em média para fazer uma contratação?


De Rui Pedro Nascimento a 10 de Julho de 2009 às 16:45
Quantas pessoas são necessárias para pôr uma informação cá fora? Uma. A que ouve conta. Sempre são precisas menos do que as necessárias para fazer uma contratação (assim de repente: Treinador, Director Desportivo, Advogado, Presidente)



De Miguel Pimentel a 10 de Julho de 2009 às 17:00
Ser capaz de controlar os canais internos de comunicação quem decide o quê, quem comunica o quê é boa gestão, na minha opinião. Não é apenas uma questão de calar a boca a um bando de inergúmenos que com as mais diversas motivações se dedicam à actividade de mandar para fora informação confidencial do Benfica.


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